"Vivo cansada, durmo mal, e a vida foi perdendo o gosto." É assim que muita gente descreve um cansaço que não passa com uma boa noite de sono, nem com o fim de semana, nem com as férias. Às vezes os exames já foram feitos e vieram normais. Às vezes a pessoa ouviu que é estresse, que é a idade, que é assim mesmo. E segue funcionando no limite, sobrevivendo à rotina em vez de viver.

O cansaço excessivo merece ser levado a sério. Ele pode ter muitas causas, físicas e emocionais, quase sempre combinadas, e investigar com calma é o primeiro passo para sair dele.

Cansaço normal e cansaço excessivo

Sentir cansaço depois de um dia puxado, de uma noite mal dormida ou de um treino forte é normal. Ele melhora com descanso. O cansaço que pede atenção é diferente:

  • dura semanas ou meses;
  • não melhora com sono nem com descanso;
  • atrapalha o trabalho, a vida em casa e o lazer;
  • vem acompanhado de outros sinais, como sono ruim, dores, desânimo, falta de concentração ou mudança de peso.

As causas mais comuns

Sono insuficiente ou de má qualidade

É a causa mais frequente e a mais subestimada. Dormir poucas horas, deitar e acordar em horários irregulares, usar telas até tarde e acordar várias vezes à noite cobram a conta durante o dia. A apneia do sono, em que a respiração para várias vezes durante a noite, é uma causa importante de cansaço e sonolência; o ronco alto, as pausas na respiração percebidas por quem dorme junto e a dor de cabeça ao acordar são sinais de alerta.

Estresse crônico e esgotamento

Viver por muito tempo em estado de alerta, com pressão no trabalho, preocupações familiares e pouco espaço para descanso, esgota o corpo e a mente. O estresse prolongado mexe com o sono, com o apetite e com a disposição.

Alimentação

Pular refeições, comer muitos ultraprocessados, ter pouca proteína no prato e fazer dietas muito restritivas são formas comuns de deixar o corpo sem combustível. Picos e quedas de açúcar no sangue, depois de refeições ricas em açúcar e farinha refinada, também provocam sonolência e queda de energia.

Deficiências de nutrientes

A falta de ferro, que pode levar à anemia, a deficiência de vitamina B12 e a de vitamina D estão entre as causas mais conhecidas de cansaço. Elas são investigadas com exames de sangue, e o tratamento depende da causa. Tomar suplementos por conta própria, sem saber o que falta, pode mascarar o problema ou criar outro.

Tireoide e glicose

O hipotireoidismo, quando a tireoide funciona menos do que deveria, costuma vir com cansaço, sono, intestino preso, pele seca e ganho de peso. Alterações da glicose, como o diabetes e a resistência à insulina, também se manifestam com cansaço, sede e vontade frequente de urinar.

Perda de massa muscular e sedentarismo

Parece contraditório, mas quem se movimenta pouco tende a sentir mais cansaço. O condicionamento cai, o músculo diminui e qualquer esforço passa a pesar. A perda de massa muscular com a idade agrava esse quadro.

Saúde mental

A depressão e a ansiedade frequentemente se manifestam como cansaço, desânimo, alterações de sono e perda de interesse pelas coisas. Nesses casos, o cuidado inclui acompanhamento de saúde mental, junto com a avaliação clínica.

Outras causas

Infecções recentes, alguns medicamentos, o consumo de álcool, mudanças hormonais como as da menopausa, doenças do coração, dos rins e do fígado, e o excesso de treino sem recuperação também podem estar por trás do cansaço.

Cansaço na mulher e as fases da vida

Algumas fases da vida da mulher pedem atenção especial. Menstruações intensas são uma causa frequente de perda de ferro e de anemia. A gestação e o pós-parto mudam o sono, as necessidades nutricionais e a disposição. Na perimenopausa e na menopausa, as ondas de calor, os despertares noturnos e as mudanças de humor podem tirar a qualidade do sono por meses. Em todas essas fases, o cansaço tem explicação, e muitas vezes tem também caminho de melhora.

Café, energéticos e a energia emprestada

Quando o cansaço aperta, é natural recorrer a mais café, a energéticos ou a doces ao longo do dia. Eles dão um alívio rápido, mas emprestam uma energia que o corpo devolve depois, com juros. O café tomado no fim da tarde atrapalha o sono da noite, o que aumenta o cansaço do dia seguinte e pede ainda mais café. Reduzir aos poucos e concentrar o café na primeira metade do dia costuma ajudar a quebrar esse ciclo.

Cansaço excessivo pode ser falta de vitamina?

Pode, mas raramente é só isso. Ferro, vitamina B12 e vitamina D são as deficiências mais lembradas, e é comum a pessoa chegar ao consultório já tomando um ou mais suplementos por conta própria. O caminho seguro é investigar antes: dosar o que é preciso, entender a causa da deficiência, quando ela existe, e tratar de forma dirigida. Em muitos casos, a deficiência é uma peça do quebra-cabeça, e as outras peças, como sono, alimentação e estresse, continuam lá.

Quando o cansaço é sinal de urgência. Procure atendimento logo se o cansaço vier com falta de ar, dor ou aperto no peito, desmaio, palpitações fortes, perda de peso sem explicação, febre que não passa, sangramentos, palidez intensa ou sonolência a ponto de cochilar dirigindo. Se você estiver com pensamentos de desistir da vida, peça ajuda agora: o CVV atende pelo telefone 188, todos os dias, 24 horas.

Quais exames costumam ser pedidos

Os exames são escolhidos a partir da conversa e do exame físico, nem mais nem menos do que o caso pede. Entre os mais comuns na investigação do cansaço estão:

  • hemograma, para avaliar anemia e outras alterações do sangue;
  • ferritina e ferro, para avaliar os estoques de ferro;
  • vitamina B12 e vitamina D;
  • função da tireoide;
  • glicemia e hemoglobina glicada;
  • função dos rins e do fígado;
  • outros exames, conforme os sintomas e a história de cada pessoa.

A composição corporal também ajuda: perda de músculo, excesso de gordura visceral e alterações de água corporal costumam andar junto com a falta de energia.

Os exames vieram normais. E agora?

Essa é uma das situações mais frustrantes, e uma das mais comuns. Exames normais são uma boa notícia: afastam várias doenças. Mas não significam que o cansaço seja imaginário. Nesses casos, a resposta costuma estar no conjunto da vida, que nenhum exame mede sozinho: a qualidade do sono, o ritmo de trabalho, a alimentação real do dia a dia, o movimento, o peso das emoções e das relações.

É por isso que a consulta precisa de tempo. A Dra. Ana Paula Abate ouve a história inteira, incluindo o que já foi tentado e o que não funcionou, porque é ali que costumam aparecer as pistas. Cada especialidade cuida de um pedaço, e esse cuidado é indispensável. O que muitas vezes falta é alguém que olhe a pessoa inteira.

Um diário do cansaço ajuda na consulta

Antes da consulta, vale anotar por uma ou duas semanas algumas informações simples: a que horas você deitou e acordou, como se sentiu ao acordar, o que comeu, em que momentos do dia a energia caiu, quanto café e quanto álcool tomou, se fez alguma atividade física e como estava o humor. Esse registro costuma revelar padrões que passam despercebidos na correria, como a queda de energia sempre depois do almoço ou o cansaço maior nos dias de pior sono, e torna a investigação mais precisa.

O que ajuda no dia a dia

Depois de afastadas as causas que pedem tratamento específico, algumas mudanças fazem diferença:

  1. Regularidade no sono. Horários parecidos para deitar e acordar, menos tela à noite e um quarto escuro e silencioso.
  2. Refeições com proteína. Café da manhã, almoço e jantar com uma fonte de proteína ajudam a manter a energia ao longo do dia.
  3. Menos açúcar e ultraprocessados. Evitam os picos e as quedas de energia.
  4. Água ao longo do dia. A desidratação leve já provoca cansaço e dor de cabeça.
  5. Movimento progressivo. Começar com caminhadas curtas e aumentar aos poucos melhora a disposição, mesmo quando no começo parece custar caro.
  6. Pausas de verdade. Momentos sem tela e sem obrigação durante o dia ajudam o corpo a sair do estado de alerta.
  7. Álcool com moderação. Ele piora a qualidade do sono, mesmo quando parece ajudar a adormecer.

Cansaço depois de uma doença ou de uma cirurgia

Depois de uma infecção mais forte, de uma internação ou de uma cirurgia, é esperado que a energia demore a voltar. O corpo gastou reservas para se recuperar, o músculo diminuiu com o repouso e o sono costuma ficar bagunçado. Nesse período, a alimentação com proteína suficiente, o retorno gradual ao movimento e a paciência com o próprio ritmo fazem diferença. Quando o cansaço não melhora com as semanas, ou piora, vale reavaliar.

Qual médico procurar

Um médico que investigue o cansaço sem pressa e olhe o conjunto: a história, o exame físico, os exames dirigidos, o sono, a alimentação e as emoções. Quando a causa pede outro cuidado, como o de um profissional de saúde mental ou de um médico do sono, o encaminhamento faz parte do caminho.

Investigação em São Paulo ou online

A Dra. Ana Paula Abate atende em consulta longa e particular, presencial em São Paulo ou online por videochamada, de segunda a sexta, das 9h às 18h. Se você vive cansada e já ouviu que é assim mesmo, vale ser olhada por inteiro.